Se encante com a história de O Quarto

“A gente é tão trouxa que se apaixona até por personagem de livro.”

É minha gente foi exatamente assim que eu me senti, e que vocês irão se sentir, depois de ler o livro Room da autora Emma Donoghue (em português O Quarto). O livro conta a história de uma mulher e do seu filho Jack, de apenas 5 anos, que vivem isolados em um quarto. Essa mulher foi sequestrada a sete anos, quando tinha 17 anos, e desde então é mantida em cativeiro. Essa mãe (que no livro não tem nome) faz de tudo para tornar o lugar suportável, porém não vê a hora de escapar, e com a ajuda de Jack ela elabora um plano para fugir.

O que mais te encanta, te surpreende, te faz chorar e sorrir ao mesmo tempo, é que a narrativa inteira é contada segundo a visão de Jack. Por ter nascido no quarto ele acredita que o universo, o mundo real e tudo o que existe está dentro do quarto, e por sua vez tudo aquilo que ele assiste na televisão são coisas irreais. Como nunca teve contato com ninguém e nunca conheceu nada fora do quarto, a autora consegue demonstrar as novas descobertas dele de uma forma incrível e cativante. A narrativa do Jack é maravilhosa, extremamente simples mas ao mesmo tempo traz uma complexidade de questões que faz você se encantar com o jeito do menino e deixa a leitura extraordinário.=



O livro foi adaptado para o cinema, com o nome de O Quarto de Jack e direção de Lenny Abrahamson, e concorreu ao Oscar com quatro indicações. O elenco traz Brie Larson como a mãe – e ganhadora do Oscar como melhor atriz – e Jacob Tremblay como o pequeno Jack. O filme foi muito fiel ao livro e a relação entre mãe e filho evidencia o trabalho muito bem feito dos atores. O filme foi dividido em duas partes, a primeira nos traz um primor e uma delicadeza incrível ao retratar questões tão terríveis. A segunda parte talvez decepcione alguns por não demonstrar tão claramente as cicatrizes que esse tipo de trauma provoca, mas conforme a narrativa vai acontecendo a história vai emocionando e reacendendo a nossa fé em superar o terror, e é aí que a frase “Nunca saberemos o quão forte somos até que ser forte seja a única escolha” faz todo o sentido.

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